domingo, 15 de novembro de 2009

Viva na Era do espetáculo como protagonista!

Tempos idos! O mestre artesão e seus dedicados aprendizes formavam uma comunidade de trabalho e expansão de conhecimento. Manipulavam a madeira, o ferro, as fibras, o tecido, o couro, a argila. A esses materiais, acrescentavam a imaginação. Como resultado, criavam uma cadeira, uma mortalha, uma casaca, uma cacimba... Enquanto lidavam com suas habilidades, dedicavam-se, também, à animada arte da conversação. Comunicação, habilidade, conhecimento, criatividade, aprendizado, trabalho... era esse o conjunto de ações que traduzia o modo de produção anterior à chamada Revolução Industrial.

Quando, porém, o homem começou a fabricar produtos em série, a alternativa para o artesão era conseguir um emprego fabril. Suas habilidades e sua capacidade criativa, a partir de uma fértil imaginação pouco contavam. Importante, mesmo, era trabalhar no compasso da máquina, pois ela era determinante na contagem do tempo e nas características do local de trabalho. Impossível conversar, enquanto se trabalhava sob risco de perder um dedo. O ambiente comunitário da era pré-industrial foi substituído pelo aspecto lúgubre das empresas, onde imperava o controle, a inspeção, o trabalho sem trégua e a solidão.

Os racionalistas ditavam as normas e condutas. Descartes inspirou Adam Smith, que influenciou Taylor e Fayol. Os empresários e seus colaboradores imediatos só se interessavam por inteligência analítica. Saber destrinchar um problema em partes e tratar cada uma delas isoladamente era o talento predominante, na época. Dividia-se o trabalho em tarefas estanques e a empresa, em departamentos. Era o fim do trabalho com significado e o começo de uma era de desperdício do talento humano.

O empirismo não era bem aceito pela sociedade empresarial. Intuição e imaginação abalavam a ordem e a ordem era necessária para que uma empresa pudesse funcionar como um relógio. O que se desejava era objetividade, praticidade, funcionalidade e eficiência. Mais tarde, com a ajuda da equipe do professor de educação de Harvard, Howard Gardner, descobriu-se - felizmente - que as empresas estavam errando no foco. Valorizavam demais as inteligências lógico-matemática e linguística em detrimento das demais. Sim, porque há várias e todas devem ser bem usadas, como agora sabemos.

A busca incessante por produtividade fez com que a mecânica cedesse espaço para a eletrônica e a máquina, espaço para o computador. Era o fim da Era Industrial! Paradoxalmente, porém, a submissão à máquina persistiu. De outra forma e, talvez, muito mais alienante. Em plena Era do Conhecimento, a tecnologia oferece infinitas possibilidades de captar informação. Essa possibilidade, porém, acabou criando legiões de autômatos, que navegam pela Internet de maneira superficial, mas com tanto fascínio pelos recursos que a eles se entregam, perdendo um tempo precioso.

Sabemos que tudo pode gerar distorções. A boa notícia é que aos poucos o sistema técnico dá lugar ao sistema humano. E um novo futuro se avista: a volta do artesão!

Não mais, porém, o artesão que juntava habilidade com criatividade para produzir um só bem, ao longo de muito tempo de trabalho. No seu lugar, surge o artista: alguém capaz de, com o apoio da tecnologia, acrescentar sua imaginação para oferecer produtos e serviços à sociedade. E o artista não está sozinho, num monólogo sobre o palco. Faz parte de um elenco, muito afinado, que nas empresas leva o nome de equipe, um conjunto de pessoas com diferentes características e talentos, abertas à diversidade e dispostas a usar, harmônica e complementarmente, os vários tipos de inteligência de que são dotadas.

Algumas boas coisas estão voltando: a conversação do tempo do artesão e seus aprendizes, a intuição e imaginação, o exercício da criatividade em grupo e o aprendizado em equipe. E mais! O respeito à divergência e a valorização das diferenças.

Estamos na Era do Espetáculo! Dos elencos em cena, das equipes talentosas. Capazes de criar grandes histórias! Os clientes, por sua vez, querem ter o que nunca tiveram e experimentar o que nunca experimentaram. Anseiam por atenção contínua e emoções. Portanto, se quiser construir uma empresa bem sucedida, evite a mesmice, a acomodação e a letargia. Nada mais triste e desmotivador que a rotina. Passe longe dela! Ofereça um novo show a cada dia, dando asas à criatividade. A perspectiva para quem enfrenta esse desafio é nada menos que um mundo repleto de possibilidades e, sobretudo, abundância. Quem ousar verá!

Roberto Adami Tranjan

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